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Garganta
de Anapala
Levamos
um bom tempo
para encontrar a entrada para essa fenda que leva às
entranhas da terra. O motivo é que na estrada não havia nenhuma placa
indicativa, e passamos direto não uma única vez,
mas sim duas. O precário mapa confirmava que
estávamos no ponto certo, mas tudo o
que havia na frente era uma igreja comprida com um
grande gramado em volta. O pior de tudo é que na
rua só havia uma galinha com pintos para perguntar,
e mais ninguém. Somente depois que saímos um pouco
da vila é que encontramos um sujeito Indiano para
perguntar. Ele nos disse que tínhamos que passar com o carro por cima do gramado
alto da igreja, e que a pequena estrada de barro começava logo
atrás.
Para se chegar em Anapala à partir de Alofi, basta
seguir a estrada para a vila de Hakupu, localizada
na parte Sudeste da Ilha de Niue. De lá, o pastado
turista terá que passar a tal igreja, e seguir uns
10 km até chegar na beira do mar no recife de
Tuhia-atua.
Tuhia-atua
não é a mãe, nem a minha nem a tua, mas é xingado nos
quatro cantos do mundo como um dos lugares mais selvagens
de Niue. O amedrontado turista ao botar o pé fora do carro,
irá perceber que o mar ali só está para peixe, e o
melhor é manter distância dele. Ondas enormes
quebram sobre a plataforma de corais, pois este lado da
ilha é constantemente açoitado por fortes
ventos. Praticamente não há sinal de humanos ao redor,
nem uma casa sequer, e o único sinal de vida são
gaivotas planando por sobre as cristas das ondas. Num dia
de mar calmo e com maré baixa, creio ser possível
explorar o recife com segurança, mas nesse dia não dava.
Na foto desse bloco, o que está vendo são piscinas
suspensas que são sempre enchidas pelas ondas. Peixes
pequenos são trazidos pelo mar e ficam presos dentro
dessas piscinas para sempre. Até um micro-clima já se
formou e algas servem de alimento para eles.
A
trilha para a garganta
de Anapala começa uns 100 metros antes de chegar na beira do
mar, bem debaixo de uma enorme árvore. A trilha é
fcil, levando cerca de 20 minutos de caminhada por
dentro de uma floresta muito bonita (foto). A trilha acaba
bem na entrada de uma fenda, composta por 2 paredes gigantes e paralelos de corais que parecem descer
até o centro da terra. A descida é extremamente
íngreme,
e para tal o governo de Niue construiu uma escadaria
de concreto. Dá um pouco de
receio de descer, mas tanto o local com a entrada
da garganta são muito bonitos, e passado um tempo, a vertigem
desaparece. Na entrada da garganta a largura entre
as paredes é de mais ou menos 5 metros, mas na
medida que se desce a escada, as paredes vão se estreitando até
parecer um simples rasgo lá no fundo.
É
um longo caminho
para baixo, e o borrado turista se sente como um anão. O
motivo é que a escadaria de concreto parece
ter sido construída para crianças de 3 anos, pois
do pé só cabe metade, e em alguns degraus só o calcanhar. O que
salva é que o governo instalou
uns postes com correntes bem grossas, e por isso a
sensação de se estar prestes a cair dentro do
interior do mundo, não é tão grande (foto). De
qualquer forma, se você já escutou alguém te falar
para fazer algo no estilo passo-à-passo, é exatamente isso
que você terá que fazer até chegar no fim da
garganta. Pela metade do caminho, o
emburacado turista ao olhar para cima verá somente
uma lista de luz ao longe e uma escadaria sem fim,
unida por um fio metálico que é a corrente.
O
fundo de Anapala
e cavernoso escuro e estreito. A escadaria acaba
nesse local da foto, e agora o único caminho é molhar os
pés e entrar dentro da garganta. O problema é que
o fundo de Anapala é um lago. O dito começa raso e
vai afundando na medida que se entra dentro do
buraco. É escuro lá dentro, e a água é fria,
além de que, volta e meia ocorre um deslocamento de
ar causado por alegres morcegos excitados com sua
presença. No meio da garganta (ou caverna se
preferir), e olhando-se para cima, repara-se que
realmente estamos dentro de uma garganta e não numa
caverna, pois as paredes sobem com dois palmos de
distância entre elas, e há um céu azul lá em
cima. Repara-se também que plantas e cipós descem
dezenas de metros desde lá de cima até quase onde
estamos, e quando os olhos se acostumam com a pouca
luz, o visual ao redor é muito bonito. O único
barulho que se escuta é o de gotas d'água que pingam
uma a uma dentro do poço transparente.
Com
água no pescoço
e boiando na água gelada, chegamos ao fim da
garganta, onde uma fenda abre para dia-claro e onde
existe uma enorme pedra na frente. Dali não há
saída, e tem-se que voltar tudo subindo, subindo,
e subindo como se tivéssemos morrido e agora subimos
aos céus para encontrar
Deus. Sem dúvida alguma Anapala Chasm
é um
lugar muito especial, e uma surpresa nessa
incrível ilha de Niue.
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Foto
aérea feita com uma
camera suspensa por uma pipa do recife de Tuhia-atua |
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| Na beira da plataforma do recife de Tuhia-atua |
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| O
estacionamento de Tuhia-atua e a trilha para a
plataforma de corais. |
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| Vista
das piscinas naturais e costa ao longo de Tuhia-atua.
A parte mais elevada em cima da vegetação é
chamada de terraço, ou seja, a partir desse
ponto para dentro, a ilha torna-se plana no centro
- Foto feita com a camera suspensa por uma pipa. |
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